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Portugal e Brasil: preços e crédito à habitação em fases diferentes do ciclo

Em Portugal, os preços da habitação ainda sobem a dois dígitos, mas o crédito novo abranda depois do pico de 2025. No Brasil, as avaliações e o crédito imobiliário aceleram juntos, depois de um 2025 fraco. Três anos de séries oficiais, comparados pelo ritmo de cada país.

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Rua de pedra no centro histórico de Paraty, no Brasil, com casas coloniais de arquitectura portuguesa, paredes brancas e portas e janelas azuis, verdes e amarelas. Imagem ilustrativa, não é um imóvel analisado pela Rivesta.
Foto: Anderson Alves, Pexels

En chiffres

  • +16,5 %preços da habitação em Portugal, 2.º trimestre de 2026, face a um ano antes
  • +14,2 %valor de avaliação no Brasil, 2.º trimestre de 2026, face a um ano antes
  • +12,7 %crédito novo à habitação em Portugal, no mesmo trimestre
  • +26,8 %crédito imobiliário novo no Brasil, no mesmo trimestre

Portugal e Brasil estão em fases diferentes do ciclo da habitação. Em Portugal, os preços continuam a subir a um ritmo elevado, mas o crédito novo à habitação perdeu força face a 2025. No Brasil, os valores de avaliação dos imóveis financiados e o crédito imobiliário novo aceleram ao mesmo tempo, depois de um 2025 fraco. Três anos de séries oficiais mostram como os dois mercados chegaram aqui e o que vale a pena acompanhar a seguir.

Duas medidas diferentes, por isso compara-se o ritmo

Em Portugal, a série de preços é o índice de preços da habitação do INE, que acompanha os preços das transacções com qualidade constante. No Brasil, é a mediana do valor de avaliação dos imóveis dados em garantia nos financiamentos, publicada pelo Banco Central do Brasil. Uma mede transacções; a outra, avaliações bancárias, que mudam também com o tipo de casas financiadas.

Por isso não se comparam níveis de preços nem montantes, e cada país fica na sua moeda. Compara-se a variação de cada trimestre face ao mesmo trimestre do ano anterior, que diz se o mercado está a acelerar ou a abrandar.

Preços da habitação: variação face ao mesmo trimestre do ano anterior

  • Portugal
  • Brasil
Preços da habitação: variação face ao mesmo trimestre do ano anterior. Portugal: 7,6 % em T3 2023, 16,5 % em T2 2026; Brasil: 19,6 % em T3 2023, 14,2 % em T2 2026.-1001020T4 2023T2 2024T4 2024T2 2025T4 2025T2 202616,514,2Preços da habitação: variação face ao mesmo trimestre do ano anterior. Portugal: 7,6 % em T3 2023, 16,5 % em T2 2026; Brasil: 19,6 % em T3 2023, 14,2 % em T2 2026.-1001020T1 2024T4 2024T3 2025T2 202616,514,2
Unidade: %. Período: 3.º trimestre de 2023 a 2.º trimestre de 2026. Fonte: INE (índice de preços da habitação, via Eurostat); BCB (mediana do valor de avaliação). Medidas diferentes nos dois países: compara-se o ritmo, não o nível.
Ver os valores do gráfico
Portugal (%)Brasil (%)
T3 20237,619,6
T4 20237,815,4
T1 20247,0-0,2
T2 20247,82,5
T3 20249,8-4,1
T4 202411,6-5,5
T1 202516,31,0
T2 202517,2-0,6
T3 202517,7-1,4
T4 202518,98,7
T1 202617,814,5
T2 202616,514,2

Portugal: dois anos de aceleração dos preços

A subida homóloga dos preços estava em 7,6 % no 3.º trimestre de 2023 e em 7,0 % no 1.º trimestre de 2024. Subiu depois trimestre após trimestre até 18,9 % no 4.º trimestre de 2025, o valor mais alto da janela: em menos de dois anos, o ritmo mais do que duplicou. Desde então recuou para 17,8 % e 16,5 % no 2.º trimestre de 2026.

Continua a ser uma subida de dois dígitos, e a Rivesta lê o ritmo como estável, porque o último trimestre não se afasta mais de 2 pontos percentuais da média dos três anteriores. Abrandar a subida não é o mesmo que preços a descer: em cada trimestre, a habitação continua mais cara do que um ano antes.

Portugal: o crédito novo passou o pico

Em 2023 o crédito novo à habitação ainda caía, -13,4 % no 3.º trimestre. Acelerou depois com força: 36,7 % no 2.º trimestre de 2024 e 42,9 % no 2.º trimestre de 2025, o máximo da janela. A seguir desacelerou para 36,4 %, 20,0 % e 11,7 %, e fixou-se em 12,7 % no 2.º trimestre de 2026. Nos últimos quatro trimestres, os novos contratos somaram 24 593 milhões de euros.

O crédito ainda cresce, mas muito abaixo do ritmo de há um ano. Os dois últimos trimestres, quase iguais, sugerem que a desaceleração parou, embora dois pontos sejam pouco para o afirmar.

Crédito novo à habitação: variação face ao mesmo trimestre do ano anterior

  • Portugal
  • Brasil
Crédito novo à habitação: variação face ao mesmo trimestre do ano anterior. Portugal: -13,4 % em T3 2023, 12,7 % em T2 2026; Brasil: -6,2 % em T3 2023, 26,8 % em T2 2026.-200204060T4 2023T2 2024T4 2024T2 2025T4 2025T2 202626,812,7Crédito novo à habitação: variação face ao mesmo trimestre do ano anterior. Portugal: -13,4 % em T3 2023, 12,7 % em T2 2026; Brasil: -6,2 % em T3 2023, 26,8 % em T2 2026.-200204060T1 2024T4 2024T3 2025T2 202626,812,7
Unidade: %. Período: 3.º trimestre de 2023 a 2.º trimestre de 2026. Fonte: Banco de Portugal; Banco Central do Brasil. Montantes de novos empréstimos, cada país na sua moeda.
Ver os valores do gráfico
Portugal (%)Brasil (%)
T3 2023-13,4-6,2
T4 202316,67,9
T1 202420,011,7
T2 202436,738,7
T3 202436,638,3
T4 202441,515,2
T1 202541,410,2
T2 202542,9-5,0
T3 202536,4-4,5
T4 202520,014,5
T1 202611,718,4
T2 202612,726,8

Brasil: uma série mais irregular, agora em alta

A mediana do valor de avaliação oscila mais do que um índice de preços, porque depende também do tipo de imóveis financiados em cada trimestre. Depois de subidas de 19,6 % e 15,4 % no fim de 2023, esteve quase parada ou a descer durante 2024 e 2025, com um mínimo de -5,5 % no 4.º trimestre de 2024. A partir do 4.º trimestre de 2025 inverteu: 8,7 %, 14,5 % e 14,2 % no 2.º trimestre de 2026. Três trimestres seguidos de subida forte dão à leitura mais peso do que um só.

O crédito imobiliário novo para habitação fez o mesmo caminho, com mais amplitude. Cresceu 38,7 % no 2.º trimestre de 2024, recuou 5,0 % e 4,5 % no 2.º e no 3.º trimestre de 2025 e voltou a acelerar: 14,5 %, 18,4 % e 26,8 % no 2.º trimestre de 2026. Nos últimos quatro trimestres foram contratados 271,2 mil milhões de reais.

Ciclos desencontrados

Em 2024, o crédito novo acelerou com força nos dois países, com subidas de 36,7 % em Portugal e 38,7 % no Brasil no 2.º trimestre. Desde meados de 2025 separaram-se: em Portugal o crédito abranda depois do pico, no Brasil recupera de uma base fraca. Os preços seguem a mesma divisão, com Portugal num patamar alto e o Brasil a acelerar. Nos dois países, crédito e preços andam juntos; os dados mostram essa coincidência, não qual puxa o outro.

O que acompanhar nos próximos trimestres

Em Portugal, a pergunta é se o abrandamento do crédito chega aos preços. Com o crédito novo a crescer menos e os preços ainda a subir a dois dígitos, o sinal a seguir é se a variação homóloga dos preços continua a descer de trimestre para trimestre.

No Brasil, a pergunta é se a aceleração se mantém nas duas séries. Como a mediana das avaliações sobe também quando se financiam casas maiores ou mais caras, a confirmação mais segura vem do crédito.

O que isto significa para quem compra ou investe

Em Portugal, conta-se com preços altos e menos impulso do crédito do que em 2025. Quando o financiamento deixa de crescer depressa, negociar com base nas vendas recentes da zona e simular o empréstimo com folga pesa mais na decisão.

No Brasil, os dados mais recentes descrevem uma fase de recuperação. Quem acompanha o mercado a partir de Portugal compara ritmos e não preços, e tem de contar à parte com o câmbio, que estes números não incluem.

Para quem segue os dois mercados, três anos de dados mostram que Portugal e Brasil não se movem em bloco: uma fase de alta num país não diz nada sobre o outro.

Sources et références

  1. Índice de preços da habitação, Portugal (série prc_hpi_q, dados do INE), Eurostat (3.º trimestre de 2023 a 2.º trimestre de 2026)
  2. Informações do Mercado Imobiliário: valor de avaliação dos imóveis financiados e crédito imobiliário contratado, Banco Central do Brasil (3.º trimestre de 2023 a 2.º trimestre de 2026)
  3. Novos contratos de crédito à habitação, sem renegociações (BPstat, quadro 1881), Banco de Portugal (3.º trimestre de 2023 a 2.º trimestre de 2026)

Texte préparé avec l'aide de l'IA à partir des données indiquées, et relu par la rédaction avant publication. Les chiffres viennent des indicateurs, pas du modèle.

Information générale, pas un conseil financier, juridique ou fiscal. Vérifiez toujours auprès de la source.

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